Carreira do corretor
O valor dos imóveis subiu pouco mais de 5 por cento em um ano, e isso muda a conversa sobre preço
21 de setembro de 2026 · 6 min de leitura
Todo corretor já ouviu a frase de um proprietário convicto de que o imóvel dele vale muito mais do que valia há poucos anos. A conversa emperra ali, e quem não tem um número confiável na mão acaba escolhendo entre aceitar um preço que não vende ou discutir opinião contra opinião.
Existe um dado oficial, público e mensal que ajuda a sair desse impasse, e pouca gente no mercado usa com critério.
O que o número oficial mostra
Segundo o Banco Central, o índice de valores de garantia de imóveis residenciais financiados, conhecido como IVG-R, subiu 5,2 por cento entre junho de 2025 e junho de 2026. No mesmo período, segundo o IBGE, a inflação oficial medida pelo IPCA acumulou 4,6 por cento. Em termos reais, a valorização média ficou em pouco mais de meio ponto percentual no ano.
O ritmo também chama atenção pela regularidade. O índice avançou algo perto de 0,4 por cento ao mês em cada um dos doze meses, sem saltos. É um mercado que sobe, mas sobe devagar, muito longe da ideia de que imóvel dobra de valor em poucos anos.
O que o índice mede e o que ele não mede
Antes de levar esse número para a mesa, vale entender a origem dele. O IVG-R é calculado a partir das avaliações que os bancos fazem dos imóveis dados em garantia nos financiamentos residenciais. Ou seja, reflete o valor que a instituição financeira aceitou como garantia, e não o preço pedido no anúncio.
- É uma média nacional, então bairros e cidades podem estar bem acima ou bem abaixo dela.
- Considera apenas imóveis financiados, o que deixa de fora as vendas à vista.
- Tem defasagem: o dado mais recente publicado hoje se refere a junho.
- Não substitui a avaliação do imóvel específico, com comparativos da região e leitura da matrícula.
Usado com essas ressalvas, o índice não serve para dizer quanto vale um apartamento. Serve para calibrar a expectativa, que é justamente onde a maioria das negociações trava.
Um exemplo com números redondos
Imagine um proprietário que comprou um apartamento por 500 mil reais há três anos e agora quer anunciar por 700 mil. Ele pede 40 por cento a mais. Se o imóvel tivesse acompanhado um ritmo parecido com o do índice oficial, algo na casa de 5 por cento ao ano, estaria hoje perto de 580 mil reais. A diferença entre 580 e 700 mil precisa de justificativa concreta: reforma relevante, mudança real na vizinhança, escassez de unidades parecidas.
Se essa justificativa existe, ótimo, o preço se defende. Se não existe, o anúncio vai ficar parado, o proprietário vai culpar o corretor e, quando o comprador aparecer com financiamento, a avaliação do banco tende a vir abaixo da proposta. O problema que poderia ter sido resolvido na primeira conversa volta no pior momento.
Por que isso é assunto de carreira
Corretor que aceita qualquer preço para garantir a captação ganha um anúncio e perde meses. Corretor que contesta o preço sem base perde o cliente. Quem sustenta uma carreira longa aprende uma terceira via: apresentar o dado, explicar a origem, mostrar os limites e deixar que o cliente decida com informação.
Essa postura muda a forma como o corretor é percebido. Ele deixa de ser alguém que quer vender rápido e passa a ser quem conduz a negociação com método. O cliente pode até discordar do número, mas entende que está diante de um profissional que estuda o mercado, e é esse tipo de confiança que gera indicação anos depois.
Como levar o dado para a conversa
- Consulte o índice antes da visita de captação e anote a variação em doze meses.
- Compare com a inflação do mesmo período para mostrar o ganho real, e não só o nominal.
- Apresente o número como referência de tendência, nunca como avaliação do imóvel.
- Complete com comparativos da região e com a análise documental, que dizem mais sobre aquele imóvel do que qualquer média.
- Registre por escrito a conversa sobre preço, para retomar com previsibilidade se o anúncio não tiver procura.
Na hora de conversar com o comprador, o mesmo raciocínio vale ao contrário. Quem espera comprar abaixo do mercado porque ouviu falar em crise também se beneficia de um dado sóbrio: os preços seguem subindo, de forma moderada e constante.
O número não faz o trabalho sozinho
Nenhum índice fecha negócio. O que ele faz é tirar a conversa sobre preço do terreno da opinião e levar todo mundo para um ponto de partida comum. A partir daí, entram a análise do imóvel, a leitura da matrícula, a condução da proposta e a paciência de explicar cada passo. É trabalho menos vistoso do que prometer valorização, e muito mais seguro para todos os lados.
Se você quer trocar ideias sobre como estruturar essa conversa de preço na sua rotina, ou sobre como a formação da Experience Broker trabalha esse ponto dentro do método, a gente conversa com calma.
Referências
- BANCO CENTRAL DO BRASIL. Índice de valores de garantia de imóveis residenciais financiados, IVG-R, série 21340. Sistema Gerenciador de Séries Temporais. Brasília, 2026. Dados até junho de 2026.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, variação acumulada em doze meses. Série 13522 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central do Brasil. Rio de Janeiro, 2026. Dados até agosto de 2026.
Publicação
Experience Broker
Conteúdo produzido pela equipe da Experience Broker, consultoria imobiliária e Academia de Talentos Imobiliários do Brasil.